Eu me lembro, e me lembro muito bem... Passavam do meio dia, sempre ou quase sempre, lá estavam ele se elas, aquelas pessoas invisíveis e perdidas, sem um lugar nenhum, ou mesmo algo para encostar dentro da barriga...
E tocavam... Tocavam, tocavam, tocavam sem parar a campainha das casas... De dentro, poucos respondiam, pois já sabiam, do que la fora acontecia...
E lá iam eles... E eu me lembro com uma dor no coração... TÃO GRANDE e presente que me teimo a não chorar...
Lá iam eles... De casa em casa, de porta em porta, de campainha em campainha...
A voz, as vezes, era uma criança que gritava, ou, outras vezes, era uma mãe franzina, mas sempre no mesmo tom, num tom que dôia lá dentro do coração...
- Êiiiiiiiiii, ôiiiiii, Êiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... Me dê um pouquinho de comida!!!
Eu era criança ou adolescente, mas EU ME LEMBRO, e não consigo me esquecer nenhum segundo disso... EU ME LEMBRO e Lembro, tanto que não consigo deixar de esquecer...
E lá iam eles... Sem querer dinheiro, sem querer status, sem querer bebida... Só pediam um
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